sábado, 30 de julho de 2011

Devocional - Agosto


- Então, eu preparo a lasanha em Agosto!
- No mês de Agosto ou a gosto de Deus?


Essa brincadeirinha com as palavras já está muito difundida. Imagino que todos a conheçam. Lembrei-me dela porque chegamos a Agosto ao gosto do bom Deus. E teremos um mês tranquilo, sem muitas notícias ruins vindo de fora e de dentro de nosso país, se Deus quiser.

"- Se Deus quiser, e Ele quer!" - Responde alguém que se acha piedoso, mas que afronta o Soberano de modo prepotente. Afinal, quem somos nós para definir o que Deus quer com respeito a coisas gerais, cotidianas? Claro, algumas coisas nós sabemos que Ele quer. A Bíblia afirma literalmente que "Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação" (1Tes 4:3). Então, eu posso dizer: "Ele quer a nossa santificação". Nem preciso dizer "se". Mas com respeito a tantas outras coisas, não queiramos definir a querência de Deus. Ele não somente é um ser pessoal maduro (Estranha palavra para me referir ao Eterno. Tome-a como antropomorfismo.) com querência própria, mas é o único com uma querência absolutamente própria, que se estabelece independentemente de fatores externos. "Se Deus quiser". Nada de complementar essa bela frase com nossa vaidosa ansiedade humana ávida por definir as coisas a nosso gosto. No fundo, quem diz "E Ele quer" acaba se colocando no lugar de Deus, revelando sua própria vontade de se transformar em seu próprio deus e sua insatisfação com o fato de que há um só Verdadeiro Deus. "E Ele quer, porque eu quero que Ele queira e, no fim das contas, eu é que decido, porque eu sou Ele, eu sou meu deus" - É o que eles dizem de modo resumido, ainda que não percebam. Outro nome para isso? Egoísmo, uma "religião" que se alastra rapidamente e que é incompatível com o cristianismo.

Que seja a gosto de Deus. E eu confio que Ele tem para conosco pensamentos de bem, não de mal. E eu confio que esperar a vontade de Deus, mesmo que ela não me seja nítida neste momento, é melhor que me valer de meus próprios desejos afoitos e expectativas confusas.

Se Deus quiser, entenderemos a mensagem de Tiago (Tg 4:13-15).

Fragmento de oração (junte este caco com outros tantos e construa sua prece):
Senhor, ensina-me a confiar em Ti a ponto de ficar satisfeito com a expressão "Se Deus quiser", sem complementos. Sei que o Senhor quer o meu bem e, ainda que situações difíceis aconteçam e pareçam definitivas, farei o que me for possível e esperarei pela tua vontade. E, sobretudo, obrigado por ter querido perdoar meus incontáveis pecados por meio do sacrifício de Cristo. Isso é o mais importante e já está feito, embora eu não o merecesse.

domingo, 24 de julho de 2011

Quando uma igreja vira lanchonete

Um café-igreja no centro de Cambridge, Inglaterra

Uma boa aproximação entre religião e culinária, a meu ver, é o tipo de evento do qual vi fotos na igreja de St. Giles, em Cambridge: um piquenique daquela comunidade de fé nos jardins da igreja. Mas nem todos os templos cristãos de Cambridge estão vivos assim. Nem todos abrigam uma comunidade ainda atuante. Alguns se tornaram somente lugares de visitação turística (acho que é o caso de St Peter's Church). Outros abrigam apenas uma reunião semanal de uma comunidade que não possui templo próprio (Como All Saints Church, em que se reúne semanalmente um grupo de presbiterianos). Agora, o que mais me estarreceu foi o caso de St. Michael's Church, que se tornou MichaelHouse. Metade do bonito templo medieval (século XIV) abriga agora um café. Isso mesmo! Não é um café do lado do templo. Isso eu vi lá em uma igreja reformada e em uma batista e parece algo tranquilo. Estou falando de um café dentro do templo, ocupando metade do espaço que era antes ocupado por bancos. O espaço de culto ficou relegado a um cantinho. É uma igreja com um café dentro ou um café com uma capela? Não sei. Sei que a comunidade de fé que se abrigava ali não resistiu tão bem ao tempo. Aquele espaço todo já não é necessário para culto. Essa aproximação entre culinária e igreja me deixou confuso.

Metade café da igreja, em foto tirada clandestinamente pela minha esposa

Tentamos (minha esposa e eu) encontar alguma explicação para acomodar minha mente revoltada. Talvez seja uma forma de ter fundos para preservar a construção... É! Mas o que se está preservando assim? Os templos antigos são bonitos. Mas muito mais bonito é vê-los ainda utilizados em sua função original. Foi uma experiência ótima ver lugares antigos, como a Catedral de Ely (de 1080 d.C.) e a Igreja de São Botolfo (de 1380 d.C.). Mas, mais interessante que ver as pedras envelhecidas pelos séculos, foi saber que durante todos esses anos, o culto cristão não deixou de ser celebrado nesses lugares. Mais interessante foi estar presente quando esses lugares foram cheios com o som de música entoada em louvor ao Eterno, com a voz dos cristãos a confessarem sua fé. Isso sim é preservação. Isso sim é igreja.



MichaelHouse pode ter surgido com boas intenções. Não sei. Este texto estava em tom mais crítico. Agora, o reescrevi e o deixei assim, no meio do caminho. Acontece que se o velho templo fosse se acabar mesmo, talvez tenha sido uma boa saída. Não sei de novo. Quem sabe um dia o espaço para culto seja de novo muito requisitado e o café tenha que se mudar para um cantinho qualquer? Quem sabe o café não servirá só como uma maneira de preservar a igreja para que ela retome suas forças em breve? Não sei mais uma vez. E termino o texto não sabendo.

Um abraço,
Cesar
P.S. Já de volta ao Brasil.

domingo, 17 de julho de 2011

A terra santa e a falta de santidade da religião (série opiniões avulsas)

Recebi um e-mail curioso em minha caixa de spam. Tratava-se de uma propaganda de viagens para a "Terra Santa". Em princípio, poderia ser uma estratégia de marketing bem acertada, já que sou cristão e gosto de viajar. Claro, surgem questões sobre como tiveram acesso a meu endereço eletrônico, mas não é sobre isso que quero opinar. O conteúdo da mensagem é que merece um comentário. Ao abrir o anúncio, deparei-me com a seguinte frase:

Ore no Monte Sinai assim como Moisés!

E debaixo o versículo: "E prepara-te para amanhã, para que subas pela manhã ao monte Sinai, e ali põe-te diante de mim no cume do monte" Ex 34:2. Assustador! Será que funciona? Imagino que muitos evangélicos gostariam de orar lá como Moisés e, se possível, receber mais uma tábua da lei com regras que corroborassem aquelas que eles mesmos criaram. Sim, muitos gostariam de orar como Moisés. O problema é que Moisés foi um só. E já foi. A ordem para subir no monte foi cumprida por ele. Ele não passou a vez! Mas lá vêm esses marketeiros de uma figa com essa balela pra tentar ganhar dinheiro com o Monte, que nem mesmo se sabe se é mesmo o Sinai. Aliás, quase tudo que se localiza em Jerusalém como pontos dos relatos da Bíblia se baseia em conjecturas. E lá vão os crentes emocionados chorando sobre "a pedra em que Jesus pisou", sendo que tal pedra foi levada para lá pelos otomanos séculos depois! E lá vão os crentes gastando seu suado dinheiro, pagando pastores e celebridades-gospel que se fazem guias (não do Caminho de Cristo) turísticos, com o intuito de faturar mais rápido que com os dízimos.

Balela. E lá vem a senhorinha do canal gospel lá de Belo Horizonte fazendo um programa inteiro sobre Israel e depois dizendo: "Não tem como explicar como é bom estar em Israel. Só indo pra você saber!" E minutos depois, ela observa: "Ano que vem vou levar minha primeira caravana pra Israel!" Falta cérebro na cabeça dos telespectadores? E, poucos dias depois, é a santa gospel que vem dizendo: "Sempre vou a Israel. Agora, o Senhor me disse para levar essa oportunidade para você também. Venha com o ** nessa caravana..." Ah não, dona! Agora até isso foi o "Senhor" que disse? Enfim, e não são eles somente. Há uma disputa acirrada. Todos os pastores-astros querem levar a galera pra Terra Santa. Todos! Será que tiveram essa ideia depois que o Caio Fabio comentou que chegava a arrecadar centenas de milhares de reais com essas viagens?

É preciso parar! É preciso desmercantilizar a fé. É preciso entender que a tal Terra Santa só é chamada santa por causa de seu significado histórico-religioso. Mas se a tratamos assim como esses pastores a tratam, na verdade, perdemos a noção de santidade da própria religião. Sim, pois a religião deveria estar separada, santificada, dessa exacerbada busca pelo vil metal. Mas, pelo contrário, nós a esvaziamos de todo seu potencial transformador e esclarecedor, e a pasteurizamos e enlatamos como produto aceitável ao paladar sofisticado dos ricos deste mundo e muito mais vendável à nova e velha classe média.

Há uma terra santa muito mais perto do que você imagina. E é muito mais urgente atentar para ela. Terra em forma de gente, vivificada pelo sopro do Eterno: você. Ele criou a humanidade (Tanto macho quanto fêmea. Se bem lido o texto hebraico, percebe-se que adam em Gn 1:27 se refere ao 'ser humano', não ao homem)  à Sua imagem. E, agora, pela fé em Cristo, o próprio Espírito de Deus habita esses montinhos de poeira que passeiam por aí. Terra mais santa que essa? Tem não, viu! Valorize-a. Valorize a obra do Eterno em você, terra feita gente santa, e fuja dos mercadores da fé.

Um abraço!

Cesar

P.S.: Coincidentemente, hoje visitei um lugar de peregrinação (não da cristandade como um todo, mas só dos anglicanos), a catedral de Ely. Felizmente, ali, ao que parece pela experiência que tive, a sacralidade da fé ainda é respeitada, além de valorizada por um ótimo coral.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Sobre a arquitetura das igrejas

Igreja de São Botolfo, Cambridge (Inglaterra).
Diz-se que este templo está em funcionamento ininterrupto desde 1380.


Há poucas semanas, li em um jornal de minha cidade que a Arquidiocese da Igreja Católica Romana de lá (Belo Horizonte) está em vias de iniciar a construção de uma catedral. Tratar-se-á (sentiram a mesóclise?) de uma mega construção cujo projeto arquitetônico é assinado por Oscar Niemeyer. Outra igreja do Niemeyer em BH? - Alguém pode perguntar. Ou assim: Outra igreja projetada por um ateu?

Pessoalmente, acho bonitos os desenhos do Oscar. Embora sempre me lembre de uma aluna arquiteta que dizia: "Os projetos do Niemeyer são bonitos, mas nada funcionais!". Partamos daí rumo ao tema exato deste escrito: a beleza e a funcionalidade dos templos cristãos. Isso mesmo, não vou falar do arquiteto nem da catedral católica-romana. Dele não falo porque não vejo tanto problema em um ateu projetar um templo religioso, contanto que ele, mesmo não crendo, compreenda as necessidades daquela comunidade de fé. Enfim, vamos ao ponto: Como seria o templo ideal para uma igreja no meu entender? Foi a pergunta que me fiz duas vezes ultimamente. A primeira vez que me ocorreu tal questionamento, foi quando me deparei com o projeto do Niemeyer para  a referida catedral (ainda não me livrei de falar disso!). Achei meio estranha a proposta. Grandiosa, mas estranha. Parece um disco voador com uma torre que vai consumir mais material que tudo. E parece que não vai ter sino. Coisas deles. Eles que resolvam. Outra vez que me ocorreu essa pergunta foi ontem. Cruzei esta pequena e bonita cidade de onde escrevo (Cambridge, Reino Unido) e vi mais igrejas que nunca em toda minha vida! É incrível! Tem mais igreja aqui que nas cidades históricas de Minas. E muitas delas são mais antigas que o Brasil. Igrejas Presbiterianas, Batistas, Anglicanas, Reformadas Unidas, Metodistas, Ortodoxas (e outras) disputam lugar nas apertadas ruas daqui. Algumas até estão lado a lado. Há todo tipo de estilo. Torres volumosas e centrais como a da foto contrastam com torres cônicas e estreitas com telhado. Igrejinhas pequenas resistem à imponência da capela do King's College. Tem igreja redonda. Igreja antiga bem conservada. Igreja nova imitando igreja antiga. Igreja antiga que só falta cair.

No meio de tudo isso, gostei muito dessa da foto. Apelidei-a de Igreja de São Bolofredo. É que custo a memorizar o nome do sujeito... Deixa eu conferir a anotação: "St Botolph's Church". É isso aí. É pequena. Tem uma só torre. Um jardim bem cuidado ao lado, com cemitério. De todas que vi, é a que mais se assemelha a meu ideal de templo cristão. Apresento-o abaixo numa enumeração de características propostas com explicação:

- Uma igreja não deve ser muito grande. Deve ter espaço para umas 300 pessoas, não mais. Pois seus membros devem se conhecer e relacionar entre si. Devem caber todos para uma almoço festivo, para um café da manhã especial etc.
- Uma igreja deve ter uma torre. O objetivo não é impressionar pela grandeza. Afinal, Ele, que é imenso, fez-se pequeno para nos salvar. A igreja deve ter uma torre para ser bem sinalizada à vista de todos, para apontar para o Céu e lembrar do transcendente e para lembrar da unidade do Deus triúno e da Igreja Cristã.
- Uma igreja deve ter tijolos ou pedras aparentes, para lembrar que, assim como o templo, a igreja como corpo é formada por diferentes partes que são mutuamente imprescindíveis. Além disso, os tijolos nos lembram que cada membro é um ser humano perecível, vindo do pó e a ele havendo de tornar. Assim, a cada visita, nos lembraríamos que nossa eternidade só subsiste em Deus, não em nós mesmos.
- Uma igreja deve ter uma cruz vazia na fachada ou no interior. A cruz em evidência serve para lembrar a que ponto deve convergir toda a nossa esperança, toda nossa fé, toda nossa pregação: o sacrifício e ressurreição do Cristo.
- Uma igreja deve ter um jardim, pois ali os membros podem ler ou conversar tranquilamente sentados. Ali os temas difíceis de tratar podem ser emoldurados por uma atmosfera mais tranquila.
- Uma igreja deve ter portas amplas, abertas como um convite.

Bem, por enquanto, pensei nisso. O que você acha dessa minha igreja ideal? Tem alguma ideia diferente?

Um abraço,

Cesar

P.S. Mas que façam a Catedral. Elas também devem ter sua função.

sábado, 9 de julho de 2011

Você sabe o que é crucificação? Eu achava que sabia!

Não, o intento da pergunta não é nada teológico. Não se discute agora o significado salvívico do sacrifício de Cristo, nem seu alcance. A questão é bem mais prática: Você sabe como se crucificavam as pessoas nos tempos de Jesus? Eu achava que sabia. Os filmes, as pinturas, os dicionários e até comentários bíblicos são tão convincentes que passamos a enxergar nos textos do Novo Testamento uma cena bem definida de como teria sido a crucificação de Cristo. No entanto, hoje, em um grupo de trabalho do Congresso Internacional da SBL (Society of Biblical Literature) dedicada à linguagem e linguística do grego helenístico, o prof. Dr. Gunnar Samuelsson, da Universidade de Gothemburg, demonstrou (a meu ver, de modo convincente) que não há, nas fontes antigas, incluindo-se aí o N.T., uma descrição clara do que viria a ser a tal crucificação, de como seriam os procedimentos. Na verdade, a própria forma da cruz não é definida no Novo Testamento ou em qualquer outras das fontes antigas como sendo especificamente como as nossas cruzes atuais. Sêneca se refere a diferentes formas de "cruzes". Outro detalhe interessante é que uma pessoa podia ser "crucificada" já morta, conforme Heródoto, por exemplo.
Enfim, os textos antigos não lançam muita luz sobre o que aconteceu com Jesus naquele dia. E o relato dos Evangelhos, se lidos sem as cenas de filmes na cabeça, só detalham o seguinte, nas palavras de Samuelsson: 1) Jesus foi suspenso vivo para ser morto. 2) Jesus ou alguém que caminhava por lá foi obrigado a carregar uma staurós [o professor usa a palavra grega para lembrar que não sabemos ao certo o que é a tal cruz] até o lugar da execução. 3) Que Jesus foi suspenso em uma staurós aparentemente pela perfuração de suas mãos.
Bem, foi uma apresentação de meia hora, mas muito didática e convincente. Segundo ele, um livro que reproduz sua tese de doutorado, justamente sobre esse assunto, sairá em setembro próximo. Mas sai pela editora Mohr Siebeck. Isso é ruim, apesar da alta qualidade gráfica e editorial (e talvez por isso mesmo), todos os livros deles são muito caros. O último que tive que comprar custou mais de cem euros e tinha menos de duzentas páginas...
Para completar: Samuelsson quis fazer essa apresentação para esclarecer o objetivo e os resultados de sua pesquisa. Segundo ele, alguns grupos da mídia o entenderam mal e divulgaram que ele estava tentando provar que a crucificação de Jesus não aconteceu. Nada disso. Ele só quis provar que nós não sabemos como era uma crucificação. Não toca nem de perto em assuntos vitais para nossa fé.

Um abraço,
Cesar
P.S. Curioso notar que aquela pretensa erudição dos que explicam que se fazia assim e não assado com as mãos dos crucificados, que no caso de Jesus houve diferenças etc provavelmente provém do vazio e não produz nada mais que aparência de conhecimento, aparência sem substância. Curioso também notar que filmes como o afamado Paixão, que procuram ser muito realistas, podem estar imitando elocubrações fantasiosas e não realidades de fato. Curioso notar que a arte medieval forjou nossa recepção do texto bíblico. E há muitas curiosidades mais, se você parar pra pensar. Ponto para os iconoclastas?

quinta-feira, 7 de julho de 2011

O que fazer com o Sicômoro?

Uma figueira-sicômoro (não sei como se escreve isso!) pode servir para muita coisa. Para Zaqueu, serviu de plataforma para ver Jesus, verdadeiro Deus, um só com o Pai e com o Espírito Santo desde o princípio e para todo sempre. Para algum egípcio por volta de 1295 a.C., por outro lado, a mesma planta serviu para esculpir o corpo de seu próprio deus (à sua imagem e semelhança?). Veja o resultado:


O motivo desta postagem? A coincidência de encontrar essa figura meio esquecida entre as mais afamadas e bem mais fotografadas múmias no British Museum na mesma semana em que li o seguinte (reflexivo, inspirativo, provocativo e belo) texto do Alberto Couto Filho: http://albertocoutofilho.blogspot.com/2011/07/deus-ciencia-sicomoros-o-jogo-do_05.html
Um abraço,
Cesar

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Um dia atípico, mas bem cuidado pelo Pai

Não é de meu feitio ser autobiográfico em demasia neste blog. No entanto, durante a vida, alguns acontecimentos extrapolam a normalidade cotidiana e, com aura de quase-ficção, ainda que verdadeiramente experimentados na realidade, solicitam sua colocação por escrito.
Ontem, por exemplo, foi um dia atípico do começo ao fim. Bem, atípico tinha mesmo que ser, já que minha esposa e eu estamos fora de nosso habitat natural para minha participação no congresso internacional da Society of Biblical Literature. Mas não precisava ser tão  atípico assim. No começo, tudo bem. Nervosismo e uma apresentação vencida. Logo, fomos tentar almoçar. Fiquei feliz de encontrar algo barato. Finalmente algo barato. E dentro da faculdade que hospeda o evento (King's College Waterloo Campus). Servimos o prato de Penne com molho vegetariano. Encontramos lugares em uma mesa ao lado de um casal de orientais simpáticos. Mas, antes da primeira garfada... Pãããããããã!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! O alarme de incêndio começa a soar. Pensamos que era um teste (de manhã tinha acontecido um teste), mas as pessoas começaram a sair, o pessoal das lanchonetes fecharam as portas e os seguranças orientavam a saída. Lá fomos nós. Lá ficaram os pratos (7 libras perdidas). Do lado de fora, um monte de biblista sem conseguir interpretar o ocorrido. Confusos, dos mais liberais aos mais ortodoxos só souberam procurar outro lugar para comer.
Esta foto mostra o lado de fora do prédio, com os biblistas perplexos se afastando do prédio e carros dos bombeiros parando lá em frente.

Mas tem mal que vem por bem! Ou melhor, se me permitem uma apropriação pessoal talvez não muito legítima, dada a trivialidade dos fatos a narrar: “Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus”. Fomos a um supermercado, compramos sanduíches e iogurte e terminamos aí nesse lugar da foto abaixo, num inesperado piquinique no fim da manhã. Saímos daquele ambiente fechado e sisudo e fomos presenteados com um bom lugar na grama (de terno e tudo, mas por essas bandas isso é normal). Ah, o salmão defumado do sanduíche, na minha opinião, estava bem pouco defumado, mais pra cru se querem saber. Mas desceu e não fez mal por enquanto...
Piquinique perto da roda gigante, aquela grandona

Enfim, pela tarde o prédio estava liberado. Fiz outra apresentação e correu tudo bem. Trabalho cumprido. Depois, escrevo para comentar alguns artigos interessantes que foram apresentados por aqui. Saímos às 16:30 e fomos apressadamente pela margem do Tâmisa rumo à Catedral de São Paulo (St Paul’s Cathedral). Chegamos bem à tempo do serviço musical da tarde. Entramos tímidos entre os turistas e, logo, estávamos entre os fiéis. Participamos de tudo. Professamos o credo apostólico em unidade. Escutamos o pai nosso cantado em inglês. Outras orações por várias causas etc. A arquitetura é estonteante. Mas uma frase se destaca em um dos arcos centrais: “Benedicite Omnia Opera Domini”. E eu respondo em pensamentos: Amém.
St Pau's Cathedral. Infelizmente, é proibido tirar fotos do interior

Um abraço,

Cesar

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Saboroso Devocional para o mês de Julho

Relógio do Sol, em Tiradentes - MG

Quando criança, costumávamos cantar uma canção na escola que dizia assim: “Quero ver você não chorar / não olhar atrás / não se arrepender do que faz”. Bonitinha até que é, mas se coloca em clara oposição a algo imprescindível para a proposta do cristianismo: a avaliação do passado, o arrependimento e a confissão dos pecados. E a diretora da escola, embora fosse uma senhora cristã fervorosa e austera, não o percebia.

Neste mês, chegamos à metade do ano. Já passamos pelo carnaval, pela semana santa, e já nos lembramos da vontade de comer canjica. Também, já começamos a nos esquecer dos planos que tinhamos feito para 2011. Será que precisamos esperar novembro para voltar a pensar em mudanças, bolar planos, reavaliar nosso proceder? Já se passaram seis meses. É um bom momento para olharmos atrás e nos arrependermos sinceramente das coisas más que já conseguimos fazer neste ano. Tantas coisas: as palavras desnecessariamente duras que dirigimos a alguém, a falta de amor em nosso cotidiano, o pouco tempo e cuidado que dedicamos a Deus etc. Se for preciso e sincero, podemos chorar, reconhecendo nossos erros e pedindo ao Senhor perdão. E assim, com os olhos sendo enxugados pela lembrança da Graça maravilhosa, poderemos erguer nossas cabeças e olhar adiante. Há seis meses pela frente! A metade de 2011 está disponível, resplandecendo diante de nós como uma grande oportunidade para construirmos um ano melhor, um ano em que nossas vidas reflitam verdadeiramente o fato de que somos cristãos. Um ano em que seja firme nossa decisão de fazer a vontade de Cristo: Amar o outro como a nós mesmos e a Deus sobre todas as coisas.

Fragmento de oração (junte este cacos a outros tantos e construa sua prece):

Senhor, eu olho para trás e vejo coisas ruins que fiz e coisas boas que deixei de fazer. Fico entristecido com o que encontro, mas não quero deixar de olhar, pois é assim que posso me arrepender e pedir perdão, e é assim que posso compreender meus defeitos e tentar agir melhor. Eu agradeço por ainda poder parar e me arrepender, e por receber o teu perdão pelo sacrifício de Jesus Cristo. E peço que o Senhor me ajude a seguir em frente, cada vez melhor.

Cesar M. R.

Durante todo o mês de Julho, este devocional estará disponível também na barra acima.